Origem das espécies – capítulo 5

origemFolha

Esta é a bonitinha mas ordinária edição da Origem que saiu em 2010 na coleção “Livros que mudaram o mundo”. Trata-se da edição da Hemus de 1979 que depois saiu também pela Ediouro, mas que, ao que tudo indica, é um plágio da tradução portuguesa de 1913 de Joaquim Paul. Mais sobre isso no blog não gosto de plágio

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Seguindo a nossa leitura, finalizamos em novembro (2014) o capítulo V da Origem, “Leis da variação”, que trata dos seguintes tópicos:

1) Efeitos da mudança de condições; 2) Uso e desuso combinados com a seleção natural; 3) Órgãos do voo e da vista; 4) Aclimatação; 5) Variação correlativa; 6) Compensação e economia do crescimento; 7) Correlações falsas; 8) Variabilidade de conformações múltiplas, rudimentares e de organização inferior; 9) Variabilidade extrema de órgãos desenvolvidos de um modo extraordinário; 10) Variabilidade maior de características específicas do que genéricas; 11) Variabilidade de características sexuais secundárias; 12) Variabilidade análoga em espécies de mesmo gênero; 13) Reversão a características perdidas há muito tempo.

A Isadora preparou o seguinte resumo:

Introdutoriamente neste capítulo, Charles Darwin explicita a ignorância que temos acerca das variações comuns e diversas que ocorrem nos animais e nos vegetais, que acabamos atribuindo ao acaso. No entanto, “as variações parecem ocorrer no sentido de produzir as pequenas diferenças que distinguem as variedades dentro de uma espécie e as grandes diferenças que diferenciam as espécies dentro de um gênero” (p. 191). Há uma maior predisposição a ocorrerem variações nos animais domésticos em comparação aos animais selvagens, destacando-se que “os desvios de estrutura são de alguma maneira ocasionados pelas condições de vida às quais estiveram expostos os pais e os ancestrais mais remotos, durante muitas gerações” (p. 161).

As leis do uso e desuso são aqui abordadas como uma explicação para o atrofiamento ou aprimoramento de certas estruturas, sempre com a atuação da seleção natural de uma maneira lenta, gradual e contínua. Essas modificações são hereditárias, ou seja, há uma associação entre as teorias de Darwin e Lamarck, visto que as leis do uso e desuso são consideradas lamarckistas. Esse debate se aplica a animais domesticados, pois há uma baixa possibilidade de se conhecer a ancestralidade dos animais em estado selvagem.

Com base na ancestralidade comum das espécies de um mesmo gênero, a aclimatação é proposta por Darwin sem muitos problemas, sendo cada espécie adaptada ao clima e ao habitat em que está inserida. Tendo em vista a grande capacidade de aclimatação de animais domésticos, como os cães, ele afirma que esse modelo se encontra na natureza selvagem também, sendo uma capacidade inata dos organismos à adaptação.

A lei da compensação denota que há um balanço entre os gastos que ocorrem na natureza, sendo necessário economizar de um lado para poder usufruir de outro. Por meio desse postulado, a seleção natural irá agir de maneira a poupar-se de gastos desnecessários, de modo que partes obsoletas irão se perder no processo evolutivo dos organismos, tendo como pressuposto que “a seleção natural pode atuar sobre qualquer parte de um ser vivo, mas sempre e unicamente em seu benefício” (p. 176).

Analisando o que ocorre no estado natural, quando há o desenvolvimento exacerbado de uma parte numa espécie qualquer quando comparada aos outros membros do mesmo gênero, pode-se concluir que houve um acúmulo de modificações desde quando a espécie de desvinculou do seu ancestral comum de gênero. Assim, Darwin conclui que “uma enorme quantidade de modificações implica uma enorme e contínua variabilidade, acionada através dos tempos pela seleção natural, em beneficio da espécie” (p.180).

As partes múltiplas, por não serem altamente especializadas, têm uma maior mobilidade tanto em número quanto em estrutura. Darwin crê que esta seja a razão para que animais situados na parte inferior da escala da natureza sejam mais variáveis que os organismos ditos mais especializado e que ocupam o topo dessa escala. Com relação aos caracteres específicos, estes são mais variáveis quando em comparação aos caracteres genéricos, herdados há longo tempo, e que não mais apresentam variações num determinado período de tempo.

Uma vez que as espécies pertencentes ao mesmo gênero possuem um tronco comum, espera-se que ocasionalmente ocorram algumas variações comuns entre diferentes espécies. Quando uma característica ressurge após muito tempo ausente em muitas gerações, há a hipótese de que “em cada geração que se sucedeu houve a tendência a reproduzir esta característica, até o dia em que, sob condições favoráveis e desconhecidas, essa tendência se manifesta em um dos descendentes” (p. 186).

Pode-se concluir que, ao longo das gerações, os descendentes de uma espécie são passíveis de mudanças e tornam-se resultados da soma de inúmeras pequenas modificações, independentemente da causa de tais modificações. Assim, a seleção natural molda uma nova geração que se torna mais bem-adaptada às suas necessidades biológicas.

DARWIN, Charles. A origem das espécies. Tradução de John Green. São Paulo: Editora Martin Claret, 2014. [EDIÇÃO NÃO RECOMENDADA PELO GRUPO]

 

 

 

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