Ciência em ação II

latourCienciaAcao

A primeira parte do livro chama-se “Da retórica mais fraca à mais forte” e é composta de dois capítulos, cujos títulos são eloquentes sobre qual seria a retórica mais fraca e qual seria a mais forte: “Capítulo 1 Literatura” e  “Capítulo 2 Laboratórios”. Interessante, no entanto, é que tanto a literatura quanto os laboratórios são tratados como retórica. Marta preparou um resumo dos dois capítulos:

O capitulo 1, da parte 1, denominado LITERATURA (p. 29-93), trata da construção dos fatos na constituição das teorias científicas. O capitulo é tão surpreendente, nos faz perguntar: elaboramos se neste processo temos FATOS OU FICÇÕES? Literatura nos remete ao procedimento de constituição de afirmações em um processo científico e o que acontece quando os outros acreditam nelas ou não. Nesse percurso temos as modalidade afirmativas ou negativas. As primeiras são sentenças que “afastam o enunciado de suas condições de produção, fortalecendo-o suficientemente para tornar necessárias algumas de outras consequências”. As segundas levam o enunciado “para a direção de suas condições de produção e explicam detalhes de porque é fraco ou forte”.   De acordo com a direção tomada, teremos a constituição de um fato ou de uma feroz controvérsia. Nesse sentido, na construção de FATO, um DADO científico não é um algo sem tensão, sem vozes discordantes, sem controvérsias inflamadas. A metáfora para pensar esse percurso é a da GUERRA porque estamos no campo das disputas, da pressão e é preciso arregimentar amigos, traçar um debate em que o papel da argumentação ou retórica é essencial. É necessário também que os cientistas estejam munidos de referências, de estudos que também são fatos. São a filiação teórica que também impõe aliados. Os artigos citados são aliados que mobilizam o debate e dá ou não status a ele. Não há nesse processo, multidões; há, sim, nas palavras de Latour, formações bem alinhadas de partidários. Em outras palavras, isso é importante porque citando seremos, também, citados em textos posteriores. Com isso, mantemos o status científico e protegemos nossa pesquisa. Claro, há problemas nesse processo: ser mal citado é uma ruim estratégia para perdurar no mundo científico. Enfim, construir um FATO é sair do centro dos debates e estabilizá-lo. Isso significa neutralizar os discordantes e a disputa. No mundo da literatura os artigos precisam de várias estratégias para sua manutenção. O estilo científico requer regras metodológicas para resistir aos leitores. Uma diz respeito à lógica da retórica, que é a de convencer, conseguir adesão do auditório. A outra diz respeito aos estudos da ciência e da tecnologia em ação.

No segundo capitulo da parte 1, LABORATÓRIOS (p. 95-155)Latour trata do mundo de onde saem os artigos, os laboratórios. Ou seja, da estratégia de mostrar as cartas. Da pergunta: “Está duvidando do que escrevi?”  decorre um passeio do discordante do artigo/do cientista aos lugares onde ele trabalha. O discordante perambulando pelo laboratório olhará as balanças, as máquinas, as tabelas e perguntará se “foi isto mesmo que o cientista viu.  Viu mesmo a endorfina saindo do intestino do rato?”. Caberá ao cientista esclarecer, convencer de que as inscrições por ele obtidas em laboratório são mesmo plausíveis e são argumentos fortes que constituem FATOS. Nesse caso, “argumentar é caro”. O discordante “ataca” os argumentos do cientista e este “precisa trazer a briga para dentro do laboratório”.  Passa, assim, pela prova de ter de convencer sobre seu objeto constituído. A essa prova chamamos de lista de sucesso ou de construção de conhecimento reificado. Emerge daí, se a lista obtém sucesso, um objeto novo, reconhecido pela comunidade.

Referência bibliográfica:

LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. Tradução de Ivone Benedetti. SP: Editora Unesp, 2011.

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