Representar e intervir IV

hacking

Francine preparou alguns tópicos sobre o capítulo “Realismo interno” (p. 167-189):

A.7. Realismo interno (p. 167)

A.7.1. Realismo interno e externo (p. 168)

A.7.2. Questões a respeito do realismo metafísico (p. 169)

A.7.3. Trabalho de campo metafísico (p. 171)

A.7.4. Kant (p. 172)

A.7.5. A verdade (p. 174)

A.7.6. Entidades teóricas e coisa em si (p. 175)

A.7.7. Referência (p. 177)

A.7.8. Gatos e Cerejas (p. 178)

A.7.9. As implicações para o realismo científico (p. 180)

A.7.10. Premissas (p. 182)

A.7.11. Nominalismo (p. 186)

A.7.12. Nominalismo revolucionário (p. 187)

A.7.13. Racionalidade (p. 189)

A.7. Realismo interno (p. 167)

– Aponta a discussão empreendida por Putnam como atual e por isso relevante. Mas, afirma que o esforço deste autor não consiste em participar da discussão entre Realistas científicos e Antirrealistas. Sua filosofia versa sobre questões referentes à linguagem. Ainda como argumento para a abordagem da teoria putnamiana, Hacking aponta o fato de Putnam ser kantiano;

A.7.1. Realismo interno e externo (p. 168)

– Explica a rejeição de Putnam em relação ao Realismo Metafísico. (“[…] nunca há qualquer gancho, ou correspondência, entre minhas palavras e um conjunto particular qualquer de entidades independentes da mente”) (p. 168).

A.7.2. Questões a respeito do realismo metafísico (p. 169)

– Hacking discorre sobre a inconsistência de uma teoria completa do universo, que corresponde à perspectiva do Realismo Metafísico (concorda com uma premissa internalista, neste aspecto, mas por motivos diferentes).

– Mesa e conjunto de átomos que compõem uma Mesa. Há correspondência? São formas diferentes de se conceber o mundo? (Hacking não concorda – exemplo do cubo de Rubik).

– Se existem 22 tipos de neve diferente, isso não depende de as termos categorizado. Elas são independentes de nossas mentes.

A.7.3. Trabalho de campo metafísico (p. 171)

– Putnam: Realista científico que se tornou uma espécie de antirrealista. (Não mudou de lado, mudou de guerra).

– Há um relativismo quanto ao Realismo e ao Antirrealismo? (Positivistas: seriam Antirrealistas sobre múons e Realistas sobre almôndegas).

– GUERRAS: Realistas x Antirrealistas: Guerra Colonial (Quem está tentando colonizar novos reinos para chamar de realidade?). Locke (Realista) e Berkeley (Idealista): Guerra civil (“porque é tratada no território familiar da experiência cotidiana” (p. 171)). Guerra total: Talvez iniciada por Kant (p. 171).

– Eventos Internos e Externos para Kant: Externos: ocorrem no espaço e no tempo; Internos: ocorrem no tempo, mas não no espaço (o ato de conhecer também os diferencia?).

A.7.4. Kant (p. 172)

– Kant virou tudo “de cabeça para baixo”. Denominou o pensamento de Locke de REALISMO TRANSCENDENTAL e a o de Berkeley de IDEALISMO EMPÍRICO, depois inverteu os nomes e se autodenominou um REALISTA EMPÍRICO e um IDEALISTA TRANSCENDENTAL.

– Tempo e espaço: Kant oscilou entre as posições de Newton (são reais) e Leibniz (são ideais) e depois criou uma síntese: “Espaço e tempo são precondições para a percepção de alguma coisa enquanto objeto” (p. 172). IDEALISTA TRANSCENDENTAL: “Assim, em si mesmo, o espaço é ideal, está ‘dentro de nós’, e a matéria é propriamente chamada de externa porque existe como parte de um sistema de representações dentro desse espaço ideal” (p. 173).

REALISTA EMPÍRICO: “Nosso conhecimento diz respeito aos fenômenos, e nossos objetos estão no mundo fenomenal” (p. 173). Números são coisas em si. Mas nós não temos qualquer conhecimento destas coisas.

A.7.5. A verdade (p. 174)

– Discute como Putnam percebe a concepção de “verdade” em Kant. Para Kant a verdade depende de um fundamento subjetivo de quem constrói este juízo. Mas, na medida em que depende de uma concordância com o objeto, também precisa ter uma correspondência empírica. Dessa forma “A pedra de toque pela qual decidimos se nossa afirmação sobre a verdade de uma coisa é objetiva é a possibilidade de comunicá-la e de descobrir que ela é válida junto à totalidade da razão humana” (p. 175). Assim, o fundamento para a concordância de todos os juízos seria o objeto.

– Neste aspecto, Putnam é pragmatista: “[…] a verdade é o que quer que uma comunidade racional, em devido curso, acharia coerente e com o que acabaria concordando” (p. 174).

– Hacking deixa a resposta a uma pergunta à cargo do leitor: “Em que medida isso faz Putnam se aproximar de Kant?” (p. 175).

A.7.6. Entidades teóricas e coisa em si (p. 175)

– O mundo numênico (realidade tal como existe – númeno: coisa em si) de Kant (ele dá origem às nossas representações, mas nossas representações não são uma correspondência direta do mesmo).

– Monadologia de Kant (mônadas: substância simples, criada desde o princípio, inacessível a quanto existe e incorruptível): uma antecipação à teoria dos campos e forças.

– Ampère: foi o primeiro a postular que existiriam coisas em si cognoscíveis.

– Hacking questiona: que posição tomaria Kant diante das entidades teóricas realmente importantes para a ciência? Antirrealista empírico?

A.7.7. Referência (p. 177)

– Retoma a discussão sobre a contribuição de Putnam para a noção de significado.

– Referência em Putnam: reticências da extensão. Mas a extensão não pode ser escrita?

– A inexcrutabilidade da referência: Quine e Putnam (como esta idéia combate o Realismo Metafísico?).

A.7.8. Gatos e Cerejas (p. 178)

– Teorema de Putnam: “Nenhum ponto de vista que apenas fixa os valores-verdade de sentenças inteiras pode fixar a referência, ainda que esse ponto de vista especifique os valores-verdade para todos os mundos possíveis” (p. 178).

– Este teorema derivou da Matemática: Teorema de Löwenheim-Skolem (axiomas, lógica de primeira ordem). Georg Cantor: Conjuntos (fala de infinitos “maiores” e “menores”).

A.7.9. As implicações para o realismo científico (p. 180)

– Recorre a J. L. Austin (reafirmando a teoria da correspondência) para sustentar sua oposição à Putnam: há outras formas de se discernir as coisas, além das teorias. Apontando para elas, por exemplo.

A.7.10. Premissas (p. 182)

– Nove premissas que invalidam as conclusões de Putnam.

– “Minha intenção era apenas enfatizar que (a) estar seguro de uma referência não é apenas uma questão de dizer verdades, mas sim de interagir com o mundo, e que, (b) mesmo no nível da linguagem, as estruturas são muito mais complexas do que Putnam consegue exprimir em sua representação […]” (p. 185).

A.7.12. Nominalismo (p. 187)

– Classifica Putnam como um Nominalista transcendental (um tipo de antirrealismo).

– O realismo faz oposição tanto ao idealismo quanto ao nominalismo.

– Reafirma Kant como Idealista transcendental e afirma Putnam como Nominalista transcendental.

– Compara o Realismo empírico de Kant ao Realismo interno de Putnam: ambos são auto-centrados.

A.7.13.

– Kuhn, idealista?

– Hacking classifica Kuhn como um Nominalista transcendental que se baseou no mundo real para construir suas inferências (ao contrário de Putnam). Mais a frente, aprofunda seus argumentos e retoma a questão da classificação de Kuhn nos termos “Nominalista transcendental revolucionário”, em contraste com Putnam que se manteve conservador.

A.7.14. Racionalidade (p. 189)

– VERDADEIRO É TUDO AQUILO A RESPEITO DO QUE CONCORDAMOS?

REALISMO

Realismo científico: “O realismo científico diz que entidades, estados e processos descritos por teorias corretas realmente existem” (p. 82). […]. “Mesmo quando as ciências ainda não tiverem conseguido ajeitar as coisas, o realista afirma que, muitas vezes, chegamos bem perto da verdade” (p. 82).

Realismo de teorias: “O realismo de teorias é aquele que tem a pretensão de alcançar a verdade e, algumas vezes, chega perto dela” (p. 54).

Realismo de entidades: “O realismo de entidades afirma que os objetos mencionados pelas teorias devem realmente existir” (p. 54).

Realismo metafísico: “[…] possui uma ‘perspectiva externalista’ a respeito das entidades e da verdade”. Nesta perspectiva as entidades são vistas como existentes e possivelmente descritíveis. Nela, as “coisas” e as palavras que as descrevem guardam correspondências. A adequação não é a medida para se estabelecer se uma teoria é verdadeira: “A verdade é a verdade” (p. 168). Leibniz “poderia ser o melhor candidato para um realista metafísico” porque ele acreditava que havia uma descrição superior do universo, externa às nossas crenças (mônadas) (p. 169).

Realismo transcendental: (tese de Locke, assim denominada por Kant) “realmente, existem objetos lá fora, e nós inferimos sua existência e suas propriedades apartir de nossa experiência sensível” (p. 172).

Realismo aristotélico (antinominalista): “[…] alega que o mundo se nos apresenta já organizado segundo certos gêneros. Trata-se do modo de ser da natureza, e não do modo de ser do homem” (p. 186).

Realismo interno: Concebido por Putnam, ele provavelmente corresponderia, segundo Hacking a “uma espécie de idealismo” (p. 167). “A ‘verdade’, segundo a visão internalista, é um tipo de aceitabilidade racional (idealizada)”. Nesta perspectiva as representações fazem sentido dentro de um sistema de crenças mas não correspondem ao “mundo real”. Esta perspectiva contém concordâncias com o Pragmatismo. (“A verdade é uma adequação ótima de uma teoria”) (p. 168).

ANTIRREALISMO

Antirrealismo: “O antirealismo diz o oposto [do realismo]: coisas tais como elétrons não existem. Existem fenômenos da eletricidade e da herança genética, mas nossa construção de teorias sobre minúsculos estados, processos e entidades se dá apenas de modo a possibilitar previsões e produzir eventos pelos quais nos interessamos” (p. 82).

Antirrealismo de teorias: Vertente de pensamento que afirma que “não devemos acreditar literalmente em nossas teorias; elas são, no máximo, úteis, aplicáveis e boas para prever” (p. 54).

Antirrealismo de entidades: “O antirrealismo sobre entidades afirma que as entidades postuladas pelas teorias são, no máximo, ficções intelectuais úteis” (p. 54).

IDEALISMO

Idealismo: “O idealismo é uma tese a respeito da existência. Em sua forma extrema, diz que tudo o que existe é mental, ou seja, é uma produção do espírito humano” (p. 186).

Idealismo empírico: “De acordo com essa posição, a matéria não existe; tudo o que existe é mental” (p. 172).

NOMINALISMO

Nominalismo: “O nominalismo é uma tese a respeito da classificação. Ele nos diz que foram apenas as nossas formas de pensar que nos fizeram diferenciar a grama da palha e carne das folhas” (p. 186).

Nominalismo revolucionário: Tese a respeito da classificação que identifica a posição assumida por Kuhn. Nossas formas de classificação da realidade não são necessárias, mas produto de um certo recorte da realidade empreendido pela mente humana. Contudo, este recorte não é definitivo. Ele sofre modificações nos movimentos revolucionários que culminam no estabelecimento de um novo Paradigma científico.

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