Origem das espécies – introdução

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Edição brasileira da Origem (6a. edição), publicada em São Paulo pela Editora Escala em 2009. Tradução de André Campos Mesquita. Atualização em março de 2016 depois de finalizada a leitura: Esta edição tem milhares de problemas de tradução (provavelmente um plágio do espanhol) e de revisão, trata-se de um atentado à formação científica, já tão capenga de leituras de textos primários. Por favor, não a leia!!! Leia, sim, a nova edição da Martin Claret, traduzida por Anna e Carlos Duarte; ou da Madras, traduzida por Soraia Freitas; ou a já velha conhecida edição da Villa Rica/Itatiaia, traduzida por Eugênio Amado; ou a recente edição lusitana da Planeta Vivo, traduzida por Ana Afonso. Em breve publicarei um artigo sobre isso, aguarde.

Iniciamos a leitura do livro, e já na introdução nos deparamos com algumas questões a serem pensadas e desdobradas.

Para começar, chama-nos a atenção logo no primeiro parágrafo a referência à origem das espécies como o “mistério dos mistérios”. É interessante analisar a dimensão histórica dessa afirmação, que nos leva a viajar no tempo e pensar num mundo sem Darwin, sem a Origem e sem a sua teoria para explicar o mistério. Aparentemente, esta era uma discussão tão em voga que o nosso autor, normalmente tão generoso nas menções a seus pares, não se achou na obrigação de identificar o filósofo que assim denominara o problema da origem das espécies. Segundo Wallace (1889, p. 3), o filósofo era John Herschel.

É também na introdução que Darwin apresenta e contextualiza seu livro, e menciona alguns fatos e personagens importantes na história da sua escrita, como Wallace, Lyell, Hooker e Malthus. Vale a pena explorar em trabalhos futuros essas influências.

Uma das coisas que nos chama a atenção é o tipo de texto, que tem a forma de relato, o que é muito diferente da literatura científica atual. Assim, o problema de que vai tratar é introduzido em termos claros e inteligíveis até mesmo por não especialistas. Segundo Darwin (2009, p. 15), apesar de os naturalistas de seu tempo até admitirem que “as espécies não foram criadas independentemente, mas que descenderam, assim como todas as variedades, de outras espécies”, eles ainda se atinham às condições externas como única causa dessa variação, o que, para nosso autor, era insuficiente. Para ele, portanto, era urgente entender como ocorriam a modificação e a adaptação.

E a resposta, como ele promete, se encontra no livro. Partindo da variação em estado doméstico, ou seja, da seleção artificial empreendida pelo homem, Darwin vai construindo o seu argumento sobre a origem das espécies por meio da seleção natural, que pode ser entendida como uma força criadora da natureza. Na luta pela sobrevivência das espécies, a seleção natural favorece as variações mais proveitosas, que, pelo princípio da hereditariedade, tendem a ser transmitidas a seus descendentes. Ou seja, além de não terem sido criadas independentemente, as espécies são mutáveis, e a seleção natural é o principal agente dessa mudança.

Há várias questões nessa introdução que decerto não são novidades, mas que vale a pena pontuar aqui para lembrarmos depois: analogia entre a seleção artificial e a seleção natural; uso de uma doutrina econômica (de Malthus) para construir uma teoria sobre a natureza; ideia de aperfeiçoamento que aparece na passagem “veremos como a seleção natural produz quase inevitavelmente grande extinção de formas de vida menos aperfeiçoadas” (p. 16).

Referências:

DARWIN, Charles. A origem das espécies. Tradução de André Campos Mesquita. SP: Editora Escala, 2009. [EDIÇÃO NÃO RECOMENDADA PELO GRUPO]

WALLACE, Alfred. Darwinism. Londres: Macmillan and co., 1889. Disponível em: <http://wallace-online.org/>. Acesso: 13/9/2013.

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