Representar e intervir I

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Desde o início do ano estamos discutindo o livro do Ian Hacking, Representar e intervir, publicado em 2012 pela Editora da UERJ. Apesar de já ser um texto balzaquiano (publicado originalmente em 1983), ele ainda é deveras atual e conta com uma introdução do autor escrita especialmente para a edição brasileira. Ademais, há uma reveladora apresentação, escrita pelo meu amigo André Mendonça (IMS-UERJ), em que ele nos apresenta o Hacking e sua obra como uma ponte entre a tradição e a pós-modernidade. Vale a pena conferir!

Temos também uma versão do texto original, o que nos tem ajudado a elucidar algumas dúvidas. Com isso, estamos preparando uma pequena errata. Para vê-la, clique aqui.

Ao longo dos estudos, levantamos mais algumas fontes. Para ver todas as fontes e referências que encontramos de/sobre o Hacking, clique aqui, aquiaqui e aqui.

O livro é dividido em duas partes, já indicadas no título. Uma diz respeito à representação, e a outra, à intervenção. Mas o que ele quer dizer com isso? Hacking nos diz, no Prefácio, que a primeira trata das teorias, e a segunda, da experimentação. Segundo ele, “os experimentos têm sido por demais negligenciados pelos filósofos da ciência” (p. 51), que “há muito fizeram da ciência uma múmia” (p. 59), ou seja, despiram-na de metafísica e história. Nesses dois trechos, vemos uma forte crítica de Hacking à filosofia da ciencia tradicional, que, nos anos 1960, foi arremetida numa crise de racionalidade, causada involuntariamente por Thomas Kuhn, que trouxe para a discussão a relação entre ciência e sociedade.

Na Introdução, que trata do que o livro não trata, ou seja, da racionalidade, Hacking nos lembra que, por conta desse foco na razão e na discussão teórica, a filosofia da ciência deteve-se exclusivamente nas questões lógicas e epistemológicas da ciência, afastando-se de uma questão fundamental, que é a discussão – explicitamente metafísica – sobre o real. E é disso que o livro trata, do realismo, mas, evidentemente, considerando que ambos – razão e real – estão intimamente ligados. No entanto, Hacking vai propor uma filosofia da ciência dos experimentos, em detrimento da consagrada filosofia da ciência das teorias. Para ele, essa filosofia da ciência é a história de um erro (p. 61), e é isso que ele mostra nessa Introdução, desde o positivismo lógico até Putnam, passando por Popper, Kuhn, Feyerabend, Lakatos e Laudan.

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